Autor: Gustavo Figueiredo
Categoria: Reflexão da Semana, Saúde Mental e Bem-Estar
Tempo de Leitura Estimado: 6 minutos
Sabe aquela sensação de acordar no sábado de manhã e, por alguns segundos, o coração ainda bater acelerado, achando que você está atrasado para algum compromisso? O corpo desperta, mas a mente continua presa na urgência da sexta-feira. Esse sobressalto, que a maioria de nós sente, é o sintoma mais claro de como a nossa rotina tem nos consumido.
Nos corredores do meu local de trabalho, eu vejo diariamente o resultado silencioso dessa pressa. Recebemos pessoas de todas as idades e realidades, e muitas chegam com o corpo adoecido simplesmente porque esqueceram — ou não tiveram a chance — de apertar o botão de “pausa”. A gente se acostumou a viver no piloto automático, correndo atrás de fechar as contas, de bater as metas, de dar conta da casa, dos filhos e das expectativas dos outros.
Mas hoje é sábado. E o sábado não deveria ser apenas o dia em que a gente tenta espremer todas as tarefas domésticas que não couberam de segunda a sexta. O sábado é um convite para a gente recuperar o fôlego.
A Ilusão de que Descansar é Perder Tempo
Nós fomos educados para sentir culpa quando não estamos produzindo. Se você senta no sofá à tarde para olhar o teto, logo vem aquela voz na cabeça: “Eu deveria estar lavando aquela louça”, “Eu deveria estar adiantando aquele relatório”, “Eu deveria estar estudando”.
Acontece que a vida não é uma máquina que funciona na tomada 24 horas por dia. Para que a gente não desmorone, precisamos construir uma verdadeira arquitetura do equilíbrio na nossa rotina. Pense em uma casa: ela não é feita apenas de tijolos pesados empilhados uns sobre os outros; ela precisa das janelas para que o ar circule. O nosso descanso é a janela da nossa vida. É por ele que a nossa saúde mental respira.

Descansar não é um luxo de quem tem tempo sobrando; é uma necessidade biológica e emocional. Quando a gente não para por escolha, o corpo dá um jeito de nos fazer parar por exaustão.
O Que a Gente Aprende Quando Fica em Silêncio
Como estudante da educação e da forma como o ser humano aprende, eu gosto muito de observar como as crianças pequenas lidam com o tempo. Uma criança consegue passar trinta minutos apenas observando uma formiga carregar uma folha. Ela está inteira ali, vivendo o momento presente. Nós, adultos, perdemos essa capacidade. Estamos sempre com o corpo no presente e a cabeça no futuro, sofrendo por problemas que nem aconteceram ainda.

A pausa do fim de semana tem uma função muito nobre: ela nos devolve para o “agora”. É no momento em que a gente desacelera que conseguimos escutar os nossos próprios pensamentos, olhar de verdade para o rosto de quem mora com a gente e perceber que, apesar de todas as lutas difíceis da semana, nós sobrevivemos a mais uma.
A Minha Reflexão (e o Meu Pedido) Para o Seu Fim de Semana
Não espere ter a vida totalmente resolvida para se permitir descansar. As louças sempre vão existir, os boletos sempre vão chegar e o mundo vai continuar girando, mesmo que você decida desligar o celular por algumas horas.
Neste fim de semana, tenha a coragem de ser improdutivo. Tenha a coragem de não fazer nada de útil por pelo menos um período do seu dia.

Deixo aqui o meu desafio para o sábado: Escolha uma atividade que não sirva para absolutamente nada além de lhe dar prazer. Pode ser tomar um café coado bem devagar sentindo o cheiro pela casa, ouvir aquela música antiga que você adora, ler algumas páginas de um livro sem pressa, ou apenas sentar na varanda e ver o movimento da rua.
A semana já exigiu muito de você. Hoje, o dia é seu. Respire fundo, perdoe-se pelas coisas que não deu tempo de fazer e recarregue o seu coração. Um excelente e merecido fim de semana para você e para a sua família!
Sugestão de Música para embalar o sábado: Ando Devagar (Tocando em Frente), de Almir Sater e Renato Teixeira. Uma melodia suave que nos lembra, com a sabedoria das coisas simples, que não adianta ter pressa e que “cada um de nós compõe a sua história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz”.
Quando for tomar a sua próxima refeição, não ligue a televisão e deixe o celular em outro cômodo. Apenas sinta o sabor da comida e preste atenção em quem está dividindo a mesa com você.